sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Eu agora só aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

adeus estrume, minhoca, adubo, esterco, titica, cocô de porco!


Eu gosto das pessoas que fumam um cigarro e imediatamente acendem outro. Acho bonita a certeza que elas tem de que podem, querem e vão fumar. É isso que elas podem fazer quando são desalojadas do local onde toca a música para alimentar seu vício. E lugar onde não toca música, hoje em dia, dá medo, até nas pessoas que apreciam excessivamente o fumo. Elas costumam ter o dedo indicador da mão direita amarelado desde a unha até um pouco abaixo do primeiro nó, à moda dos velhos fumadores inveterados. Está provado que adimiro os velhos de garganta seca que não tem mais tempo para questionar leis. Mas também gosto muito do Caetano Veloso, que está todo resmungão no início da velhice, que é mentira também.


- Olha o tipo de coisa que transmito nesse meio! É o puro suco da inultilidade aguada no gelo de torneira. Não vou mais me submeter a esta situação. Pretendo criar um novo lance, mais de acordo com as minhas necessidades, que vou recomendar com se fosse espaço de grande interesse e refinamento, inclusive aos familiares e desconhecidos. O Henrique vai precisar me ajudar, ele é o homem da paciência e competência indiscutíveis; eu, apenas uma vítima da bobagem coletiva, indiscutível, meu bem, não discuta comigo, não sobre esse tópico.

Ótimo, estou avisando-o por aqui mesmo. Que essa bobagem entitulada estrume, não sei que e blah blah blah, já teve sua vez e hora e que morre hoje, sem "foguete, sem retrato, sem bilhete, sem luar nem violão". Pensei mesmo foi encerrar com um ensaio sensual meu, mas achei que ficaria um pouquinho vulgar, além de gastar precipitadamente meu hipotético trunfo, logo assim, em começo de carreira. (neste parágrafo eu tentei ser engraçada, repare!)

É bom que esse lance de bloguinho acaba virando um diário de idéias mais ou menos organizado, que a gente pode consultar se estiver interessada. Por incrível que pareça eu de fato consulto, em momentos de desespero, quando esqueço meus pensamentos ou não me lembro de tê-los. É um reconforto se reconhecer capaz de articular idéias inteligíveis realmente importante para mim, minha cabeça é muito instável e, salvo os cabelos mui elogiados (uiuiui), não carrega nada de muito bom.

Acontece que eu revejo as coisas como distantes demais. E vou sair, mudar, virar a cabeça do que me virou nessa nova bossa. Tem a ver com o ano que passou. O ano de 2009. Eu nunca falei de outro ano com tanta insistência. O outro ano dessa amplitude que eu vivi se chamava 94. Esse é então 009, porque a gente viveu não somente uma virada de década. Somos a última esporrada do século XX (nós 85-90, eu já disse! pessoas que se masturbaram para chacretes na época em que elas ainda eram gostosas e as que aprenderam a falar com telletubies não servem) e esse último ano foi um chute no cu de quem tem (cu). Não conheço um ser que o haja passado em brancas nuvens. As voltas foram enforcantes, se também firmes, vamos ver é pra agora, pra adiante. Mas as voltas foram muitas.

A maioria das pessoas tentaram começar o ano passado com cautela por causa da crise mais hype da vida do mundo. Eu comecei mandando tudo pro inferno, apaixonadamente, do que nunca me arrependeria. Baby, eu entrei o ano lendo em regozijo Os Irmãos Karamázov pela primeira vez, existe perspectiva mais linda? Poderia um ano novo tão lisérgico, "patola e folgazão" ocultar tanta força destrutiva? Poderia, pode, foi podendo. Mas logo de saída eu já me avisei que podia nada dar certo e me peguei tantas vezes na mentira. Mas virei um outro ser, nada diverso nas limitações, mas realmente mais amável no que posso resumir em sentimentos e referências.

Cristo-deus-pai!, antes do ano passado eu ainda não havia lido uma linha de Beckett, que não fundiu minha cuca, fodeu minha caveira e me fez falar de coisas que eu pensava que não conhecia, de maneira muito diversa do que eu antes julgava arrogantemente conhecer. Antes do ano que passou eu era também analfabética no que concerne ao cinema brasileiro, gozo de pelo menos nunca ter parado de estreitar meus laços com ele desde que me peguei em falta com o filhote mais fraco da nossa apoteótica arte nacional. É, eu sou ufanista, patriótica, babaca, estilão "Ame-o" e "a Bahia é linda"! Pour vous, c'est chauvinisme? Cara, eu não vou levar isso pra análise, tenho outros lances que me incomodam um tantão mais.

Acontece que outras coisas incomodam um tantinho menos, saca? E cada vez menos e menos e hoje pra maioria dos babacas eu procuro não existir. Antes de 009 eu ainda cultivava relações superficiais com pessoas superficiais, porque.. bem, simplesmente porque as conhecia e o homem é um bicho que anda em bando, mesmo que seja um bando de bosta. Não generalizo, não estou dizendo que andava de mãozinha dada com cocozinhos por aí. É que a gente muda e de repente o ombro que eu dava pra um chorar, não dou mais nem pra se apoiar de bêbado da minha própria pinga. Não sou malvada, embora tenha uma fama ridícula que nunca ninguém confirmou, mas compreendi que, além do perdão, virtude à qual já me uni e duvido de quem faça uma cachorrice capaz de perverter meu espírito de felino dócil, há a dignidade, e a minha eu cuido, do meu jeito, é verdade: do meu jeito é verdade e ponto. Estou muito incisiva? Eu diria conclusiva, aliás, mas não quero perder muito mais tempo listando acontecimentos do ano que passou.

Ah sim, o grande episódio apoteótico (estou amigada com esta palavra hoje) de uma mudança: ali, pela onda da morte de Michael Jackson, quando redescobri minha linda amizade de infância, o que foi com toda a certeza um presente de ordem divina, porque minha querida amiga Lívia apareceu-me em sonho pouco antes de voltar a respirar, viver, falar e falar, beber, existir do meu lado, quando fiquei literalmente sem lenço e sem documento, "sem dinheiro, sem comida e feliz da vida". Realmente ouve um lance de azar, mas o azar nada mais é que uma nova chance para a sorte. Acontece que eu peguei um objeto enfeitiçado na rua, a saber, uma imagem de buda em gesso vulgar, que me trouxe uma onda curiosa de azar, que não foi de todo horrorosa: culminou em uma sequência de assaltos, que me arrancou uma bolsa bandeirosa da Diesel que só estava fodendo meu ombro e confundindo os outros a respeito de minha situação financeira; não um lenço, mas uma caixa cheia deles, que eu carregava, ora vejam só, antes da onda suína que dançou na cabeça da galera mais paranóica; minha carteira contendo documentos, até o RG com aquela foto tão bonita, tão raro foto de RG bonita, puxa!, e alguns recuerdos, lixo acumulado de carteira junto com cartão, bilhete e carteirinha, tudo que define o padrão e a função de um ser humano em sociedade; também muito, muito tristemente, minha edição de Malone Morre que furtei de minha própria mãe, mas que, afinal, propiciou-me uma deliciosa demonstração de amizade de minha querida Didi, que encomendou eu novo Malone lá da Bahia; meu celular também foi levado e eu sou de apreciar que não me liguem, senão com longo intervalo de tempo entre uma chamada e outra; e finalmente e beneficamente, levaram meu primeiro moleskini, que, além de conter a raíz primeira de meu novo estilo, continha opiniões preconceituosas e negativamente ingênuas que eu nem faria bem em revisitar.

Porra, me livrei de tanta tralha e me senti tão completa. Mesmo nas paredes finas de um apartamento caixótico, onde vivia próxima a pessoas que só faziam criticar meu jeito de viver, meu jeito de andar, de falar, ouvir minhas músicas, fazer amor. Aporrinhação no duro, sacanagem, patifaria. Daí eu saí fora. Entrei noutra. Mas já não estava exultante de alegria, não havia uma razão que eu encontrasse para me alegrar por completo. Não havia um ente alegre que me fizesse cafuné, porque todos estavam desesperados. Foi precisamente o que aconteceu nesse ano, parece que foi um excesso de tudo. Passei meses ouvindo transas horríveis por causa de trabalho, doença, violência, trairagem, enlouquecimento, internação, acidentes, quedas, desmaios, operações e mortes. "Veja bem, meu bem, a vida não é sempre linda", eu sei, eu consigo perceber, não pensem que tenho um estômago de sacola de supermercado, ele é fibroso apesar da gastrite. Mas porra.

Me indignei e agora perdi o fio, não vou falar mais desse ano que já depois não me trouxe nada de bom, além, é claro, do Henrique, amor que não acredito haver perdido; e penso assim hoje, não antes. É o que não era antes de 009, não. Sou o que não era, distante e próxima do que desejava quando ousei me transformar. Muito mais próxima do que ousei me aproximar e assim um tanto distante, compreendeis? Que viesse a chorar um copo d'água ouvindo Roberto cantar Como 2 e 2, podia supor remotamente, que transbordasse dois ouvindo Cavalgada com Nara, nunca me passou pela cabeça. E agora vou-lhe dizer, a ele, o Henrique, essa coisa tão simples e bonita, de palavras que faço minhas, por muita identificação: que "a paz que eu tanto quero ele traz no coração".

Tanta melosidade açucarada só escrevendo mesmo, no trato pessoal garanto que permaneço a mesma casca grossa, que parece criada na boca do cais. Nananão, sou de família e "de família" a alguém tão distante de qualquer nobreza, só pode mesmo significar que me preocupo com a minha família e me faço presente, tão dedicadamente quanto possa. É um pouquinho reconfortante conhecer um pedaço do que se deseja. Pretendo ainda apenas me redimir de algumas desfeitas e reatar relações que nunca deviam ter sido rompidas, rompimentos passageiros, os restos caquéticos do mal em decomposição. O projeto está em curso, acreditem, oh amigos, eu não esqueço.

E agora vou falar uma coisa profundamente idiota: dá pra transformar mandioca braba em doce; e eu quero mais lisérgico que o do ano bom passado. Ano bom haha.

Aguardem minha
Aventura Maravilhosa no País da Canção - um mimo apenas, um brinde à passagem.

Bem, é só isso. O que eu preciso é de um blogue que cante, sabe, eis finalmente toda a sinceridade.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

deus é uma . viaje

"Saí de casa, de terno tropical
camisa creme, lenço e gravata igual" aparentemente só para agregar um cigarro pedido e duas Stella Artois à minha sub-existência sub-criativa; se eu estivesse em um bom momento, não estava escrevendo aqui, vamos acreditar. Stella, Estela, hurrah! eu me perco no discurso, tanto significado meu verbo contém. rá! Quem acredita nisso? Infelizmente ninguém. Mas agora eu tenho inimigos invisíveis que me espreitam através de telas amigas. telas, Estelas, todas da mesma família. Naaão, eu estava me contendo para não escrever ex-tela, mas você pensou nisso! E eu quis causar sua vergonha antes de você! raaaaá! Estou boba, puta-merda. claro, também.. não é?
Olha.. "dentro dos meus olhos..." não, olha: baixa, ouve Homem Velho, O Nada, Contando Estrelas, depois me conta. Me desculpem os Caetanos, que sabem muito melhor do que estou falando, mas a gente só vai voltar a foder gostoso quando nascerem os novos Erasmos-Robertos e, como sou otimista inveterada, pode ser que já tenham nascido e estejam aqui pela Bela Vista, nascidos lá por 2000, rodando no rolimã e pisoteando a calçada ruidosamente enquanto escrevo à bic e xingo suas santas mães, por falta de criatividade. Porque este é o país da canção Muito bem-vindos, estrangeiros nativos! Eu sou escrevedora, não valho nada. Mas perdoai-me, raça superior vindoura! éramos saldão da nojeira da geração passada, que foi realmente uma bosta. A gente, 85-90, não podia amar, não tinha ternura no lidar, não tinha beleza pra ver. Nossos 'exemplos', incrivelmente, oh, povo jovem e bonitinho, eram ainda os chamados 'metaleiros', usavam a mesma camiseta preta ensebada de alguma banda bosta todos os dias, exibiam orgulhosamente pústulas incuráveis e por vezes sangrentas em toda a superfície da face e fediam, sim, fediam incrivelmente, como jamais algum adolescente voltará a feder na história desse mundo. Com 'sorte', você poderia conviver com outros, os 'HC's' ou os 'clubbers', ou os 'sk8ers', que por alguma razão não cheiravam tão mal, mas usavam sempre e impreterivelmente laranja, por vezes em um tecido furadinho que podia constituir a camiseta em sua integridade, ou detalhes da bermuda 5 números maior, ou detalhes ou integridade dos cabelos, ou do tênis, qix, eu acho, ou no boné que arranjavam ainda e anacronicamente a la Sérgio Malandro, urrando "Uh, tiazinha!" e inflamando com sua porqueira uma espécie popular de piercing muito feio, na época chamada 'megabel', que causava quelóides espantosas na cartilagem das orelhas adolescentes que normalmente já eram cobertas por cravos gordurosos em razão da alimentação miserável dessas pessoas. Sim, eu tenho mágoa disso tudo. Eu, que sempre fui muito gostosinha e tenho fotos para comprovar.. Mas tiro a minha onda e não reproduzo as mesmas imundícies das quais fui vítima. Nós, 85-90, pelo menos, somos muito bonitinhos. E eu, uma gatinha 4 estrelas, modéstia à parte, acho que sou boa inspiração para as garotinhas Bela Vista/São Remo/São Paulo que passam por mim e dizem "tia, canta um róque!?" deve ser a minha 'beleza relativa 4 estrelas'. Foi deus quem me fez assim. Sabe que Estela é estrela e vênus também é uma, da qual eu gosto mais?

Tá, é tudo bobagem. Mas eu prefiro acreditar nisso do que acreditar por exemplo que alguém entrou aqui e roubou todo o papel higiênico. (eu disse que não estava inspirada. Comprou de louco, minhas condolências.)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

hey, arnaldo antunes, estou saindo do meu esgoto.

"Visto meu casaco de couro bangue-bangue
Manchado de batom e de sangue
Se você pedir eu subo no palanque
E mostro aquele passo de funk" -- o A. A..

Sem comida, sem dormida, sem parar. Meu único incômodo foi a janela aberta da vizinha, que podia visualizar e interpretar livremente minha exultante euforia e meus desesperos passageiros. Ela passa a noite, a madrugada e a manhã em frente a um lap top que está em frenta à janela. À tarde ela desaparece, sempre assim. Ela fuma e usa fone nos ouvidos o tempo inteiro. Ela parece não se importar comigo, mas eu me importo com os olhos dela e ela parece perceber. Acontece que eu não fumo e não uso fone, meus hábitos de trabalho, apesar de eu não os considerar verdadeiramente vergonhosos, me deixam encabulada diante dos olhares curiosos; mesmo que não haja curiosidade, mesmo que não haja reprovação, não tem jeito, o lance acontece na minha cabeça, não posso conter. Não posso ouvir no fone, me dá dor de cabeça, não posso fumar, do jeito que não como me daria gastrite, e se tivesse maconha, padeceria na larica, lembremos que não tenho o que comer. A maconha está mais cara que a comida, "isto é uma vergonha".. meu deus, o jornal da Band registrou expressivo aumento na audiência desde que seu verme proferiu suas nojeiras. De que adianta pedir a cabeça de Boris Casoy se a verdadeira causa do rebuliço foi uma falha técnica? A opinião predominante do âncora, do jornal, da emissora e da tal classe social que integram nunca foi diferente antes; evidente é a hipocrisia. A demissão de Boris Casoy seria a reafirmação das suas vergonhas. Se eu estou defendendo o homem? Ora, pelo amor de deus, nem sei mais por que entrei esse assunto, nem assisto televisão, "Haaaá de viver eternamente/ sendo escravo dessa gente/ que cultiva hipocrisia"..

Aprendi, por exemplo, a fazer arroz de microondas. O enclasuramento e a falta de companhia não é insuportável para todos. Só para os que pensam bosta unicamente, ou estão deprimidos; eu entendo os deprimidos, eu tenho esse lance e tal.. mas olha, só bosta, amigo, vai pra bosta então! Me isolei, depois notei que papai e mamãe sentiam minha falta e, no meu caso, papai e mamãe quando se falam é porque sentem muuuito minha falta.

"Mini-joaninhas estão correndo pelo meu corpo. Eu as mato, porque dão coceira, sem querer. E percebo só depois, arrependida."

Eu sou postiva. Sou um sinal de mais gigante encoberto por uma revoada de mariposas insandecidas, mas eu nem ligo.. e nem teria escolha, sou de família de longevos, tenho cara de filha-da-puta, vou viver até dar pena, meus trinetos vão me odiar. Eu morro e, aposto, ainda vão chorar.

Falei, falei, mas não disse: Os meus rompantes de criação que me deixam encabulada são a dança do corpo e o canto da voz."Para mim, ou sim, ou não, mais ooou meeenos não!" Ahhh! Pára de citar Arnaldo Antunes, você já falou dele aqui. Já botou o link e tal e tal, nem sei mais se está funcionando, cadáver fonográfico de mierda!, melhor trocar de assunto, concluir a respeito da vizinha, por exemplo. Já, já pensei que ela está lá, na dela, escrevendo como eu e talvez seja um gênio fumante e notívago, diferente de mim que sou praticamiente um saci, o cu que queria falar, sei lá beem. Mas, na verdade, lamentavelmente, aposto que ela tem uma ocupação mais idiota e inclusive remunerada, como um call center internacional ou uma revista de fofoca.

Minha intenção, depois de falar da dona da outra casa, era falar do.. calma, olha que perfeito, o Artnaldo Batista estava na bundinha do Antunes: "Louvado Seja Deus que nos deu o rock'n'roll!" do Erasmo Carlos. Mas aí eu parei porque tinha uma coisa, que no início pensei que era muito louca, acontecendo na rua! Eu moro perto da Vai-Vai e disse, pronto, tem um bloco na rua, caralhos, vamos descer! Que nada, é um ensaio de merda, tudo distorcido e um grave pentelho me enchendo o saco, além do calor das janelas fechadas. Blá. Meu consolo é o Erasmo e ele está dizendo:

"Volta pra mim, volta pra mim
Sim, só podia ser você o amor que eu sonho sempre
Não, não me diga adeus, não, naaão!"

A Vai-Vai está com inveja do amor que o Erasmo sente por mim e o calor é o tesão. Pronto, nada me incomoda fácil. É tudo lindo dentro desse apartamento. Estou trancada no apartamento, lembrando só, okay? É mentira, eu saí um pouco, não dava. Mas continuei anotando, anotando, claro, como agora; estou falando bosta no blog porque rebelei da coisa. Mas volto. Já-já. Aconteceu de por exemplo eu tomar umas birita, o cara dizer que é doze, eu pedir um cigarro solto e ele dizer que então é onze. Ele paga um real para que fumem em seu estabelecimento, contrariando o serrismo paulistano? Simpatiza com fumantes? Põe droga nos cigarros que vende? - tomara.

Quer saber? Foi bom, mas é o fim. Não aguento ser só assim. Não é que não goste. Até voltei a bater na cabeça a caneta, de leve, só pra afrescar, afrescalhar, ponha onde quiser, uma coisa de mim comigo, como fazia em criança. Vou pra rua sonhar, bebiricar, escrever e ser vista por gente um pouco incomodada. As pessoas se assustam quando você escreve publicamente. É a minha preferência desde que bebo. Mas não vejo ninguém fazendo igual ou parecido. O povo olha estranhando, sentindo medo de ti e pedindo desculpas mais educadamente que o usual. Um dia, daqui a uns 40 anos, pelo menos, algum bosta "historiador das coisinhas" vai vir me entrevistar indagando o que eu sentia, então vou inventar um monte de imbecilidade, vou dizer do Proust, do Beckett, do diabo, e do Erasmo, de quem eu ia falar agora, muito bem, evidentemente, mas não vou não, vou voltar ao trabalho, e está dando um trabalhão! Decidi não dar mais palha pra filha-da-puta escrota(o). Egoísta é o cacete, se me matam antes não vai ficar pronto! Pragmatismo, my honey.

AHH! Agora sim a Vai-Vai está na rua "É show de bola essa emoção, o Bixiga não sei-o-que.." Eu moro no Bixiga, manja? Desci, tchau mesmo. Eles estão falando "vem meu amor" e eu não guento.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

panela do diabo






Considerações gerais a respeito do jogo realizado na madrugada passada:

As três primeiras situações sugerem o tom da história, a saber, uma espécie de degradê impaciente SOL - CHUVA - NOITE. Ou mais: ESPAÇO PRIVADO - ESPAÇO PÚBLICO - ESPAÇO PÚBLICO TRATADO COMO PRIVADO ou ESPAÇO DO ESTADO (FASCISTA, só sendo)

Apresentada a primeira moça, exultante em sua disposição e beleza solar. Uaaáá... Sua satisfação porém convive e depende de sua retenção anal bem sabida.

Transtornado e só. o primeiro rapaz segue sua penosa caminhada importunado pela chuva cruel. Xuaaá

Então conhecemos o terceiro rapaz, que, do alto de seu paletó, é impedido de penetrar um ambiente que teoricamente é destinado a visitação pública.

Este ambiente é uma Galeria de Arte.

Acontece que durante o dia, aquele mesmo dia enSOLarado, ou outro que comoventemente se parece com o tal um, as pessoas se reúnem nos fundos desse mesmo prédio e apregoam bordões libertários passando um baseado servidão.

À noite, vejam só, enquanto desconhecidos extravagantes sufocam os canteiros do jardim frontal com bitucas acesas, o recanto abençoado de comunhão e chapação é isolado à chave, por causa do cachorro que de dia é um queridinho, cheirando o sexo das pessoas ou não.

O cachorro, aquela fera atacando o portão.

Depois temos um pouco de paisagem urbana, misticismo e mundo cão.

Deite e aguarde o próximo capítulo.