sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Mudo-me. Mudo um pouco mais. Um pouco mais pra lá. Um pouco mais pra perto de mim.
Sabia que não era onda de ano. Mudo-me todo novembro. Até agora. Ano que vem, nunca! Não é promessa nem dúvida. É profecia. Quem sabe se sei?

Tornei-me uma recente analfabeta. Tornei-me tarada pela lembrança daquele imaturo vigor, que me deixara de ser apreciável em outras carnes. Em vez de sair parindo universos, quero agora aquela criatura. Quem quer mais que eu agora?

Agora eu quero aquela, agora quero isto ou ele. Quero tanto agora. Que fique querendo. Eis uma má sugestão. Não é da minha conta o que permanecerei sentindo. Como posso me inventar saberes de adivinha?

Quero ficar sentada olhando para ele. É o que estou sentindo. Agora que vou embora. Agora que vou embora e sinto vontades do que não é daqui. Ele está lá, sentado, esperando. Ou descansando somente, pois quem espera não vive. Ele esta lá, ele, com vida, do jeito que ele é. Tem um cálice de vinho na boca bastante tingida e um anel estranho no dedo. De um colorido desonesto, semelhante ao das molas com que brincavam as crianças. Essas coisas do futuro. E ele às vezes olha-se o rosto, no cálice ou no vidro da janela, com expressão que certamente não se alteraria caso olhasse o seu qualquer outro rosto. E quando eu chegasse, de pé à sua frente, para que me visse, mesmo distraído com as unhas que cortava, dissesse-lhe coisas como: Você é a pessoa a respeito da qual eu mais posso pensar coisas boas. E lhe fosse elogioso, muito mais se não entendesse. Muito inteligente para entender algumas coisas. Ele. Que coisa mudar este lugar! Sinto falta do espelho porque ele parece alguém que está me esperando. Plenamente sozinho, inclusive a se contemplar. Mesmo as unhas. Está lá sendo. E estes é que eu digo que estão a me esperar, tão sozinhos que poderíamos ser um.



xxxx
que bonito:

Preciso urgentemente encontrar um amigo
Pra lutar comigo
Pra lutar comigo

Quero ver o sol nascer
E a flor desabrochar
E no mundo de amanhã

Quero acreditar
Quero acreditar
Quero acreditar e a paz que eu tanto quero
Eu consiga encontrar

Preciso urgentemente encontrar um amigo
Pra lutar comigo
Pra lutar comigo

É difícil encontrar
Pois é grande a confusão
Pode até estar aqui
Nessa multidão
Nessa multidão
Nessa multidão
E a paz que eu tanto quero
Ele traz no coração

Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo, Erasmo e Roberto (gatinhos!)

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chora mas não se demora
mora que ninguém dá bola