- Pega. Depois não me vais dizer que fui eu quem nunca te deu nada.
- Uma planta?
- Uma muda.
- De quê?
- Disso aí, que tá aí. Tu descobres se cuidares.
- Frutas amarelas. É uma nespereira?
- Quê!?
- É uma nespereira? Uma nespereira?
- É, é uma disso aí.
- Sabia que já tivemos uma?
- Pois que seja. Não gostaste, deita fora. Adeus.
- Eu gostei, Gostei muito, não diga isso. E obrigada! Obrigada! Adeus!
Que eu faço com isso nesse minúsculo apartamento? Eu gosto das casas com céu e chão por de volta. Essas gaiolas empilhadas não são para mim. Para mim não. Não, não são para mim. É verdade que eu sonhava uma samambaia. Mas agora a nespereira pra me angustiar? Não há nada que mais me doa que árvore em vaso, não, não há. Está certo que esta é diferente, está plantada dentro da abóbora oca e crua, mas isto pode até ser pior, pois vejo que ela pode apodrecer e talvez prejudicar as raízes da planta. De que adianta fincar raízes em uma abóbora podre? O que mais ainda me confunde é que aparentemente a abóbora também está a brotar. Ou não foi absolutamente colhida. Reparando bem, suas raízes provêm de seu interior decepado, esvaziado e recheado de terra úmida para a muda. De nespereira, estamos pensando. Na verdade além que uma nespereira, há uma aboboreira. Não sei se fui só eu que reparei ou só eu que demorei pra reparar.
domingo, 18 de outubro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário
chora mas não se demora
mora que ninguém dá bola