domingo, 18 de outubro de 2009

- Pega. Depois não me vais dizer que fui eu quem nunca te deu nada.

- Uma planta?

- Uma muda.

- De quê?

- Disso aí, que tá aí. Tu descobres se cuidares.

- Frutas amarelas. É uma nespereira?

- Quê!?

- É uma nespereira? Uma nespereira?

- É, é uma disso aí.

- Sabia que já tivemos uma?

- Pois que seja. Não gostaste, deita fora. Adeus.

- Eu gostei, Gostei muito, não diga isso. E obrigada! Obrigada! Adeus!

Que eu faço com isso nesse minúsculo apartamento? Eu gosto das casas com céu e chão por de volta. Essas gaiolas empilhadas não são para mim. Para mim não. Não, não são para mim. É verdade que eu sonhava uma samambaia. Mas agora a nespereira pra me angustiar? Não há nada que mais me doa que árvore em vaso, não, não há. Está certo que esta é diferente, está plantada dentro da abóbora oca e crua, mas isto pode até ser pior, pois vejo que ela pode apodrecer e talvez prejudicar as raízes da planta. De que adianta fincar raízes em uma abóbora podre? O que mais ainda me confunde é que aparentemente a abóbora também está a brotar. Ou não foi absolutamente colhida. Reparando bem, suas raízes provêm de seu interior decepado, esvaziado e recheado de terra úmida para a muda. De nespereira, estamos pensando. Na verdade além que uma nespereira, há uma aboboreira. Não sei se fui só eu que reparei ou só eu que demorei pra reparar.

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chora mas não se demora
mora que ninguém dá bola