domingo, 13 de dezembro de 2009

Chamava Clara Maria. Morreu da noite pro dia. Sem deixar explicação. Deixou no bucho um rebento. Que nasceu de mãe morta como o algoz de Macbeth. De cadáver, não de mulher.

Quem era a mãe? A mãe não tinha. Qual é essa de falta de mãe?, vão pesquisar na cabeça da autora. E a mãe da outra, porque não vinha? Que mundo sem mãe essa casa de avós eternos.

A minha ficção era o que eu pensava que parecia que acontecia dentro dos quadros bordados em lã berrante (ainda berrava a despeito do pó dos anos!!) que minha avó pendurava na sala. Ficção era o que havia escrito nos mini-livros de couro e folhas finas de minha tia (fiquei depois pois sabendo, era Machado Penumbra!), que enfeitavam delicadas prateleiras e a feminíssima penteadeira de cabelos bastos. E também era ficção aquilo que se imprimia à caneta bic, sempre azul, nos cadernos 'universitários' que pagava meu avô no supermercado. Quando eu ditava tantas estórias para cadernos com listras e fazia muitos desenhos para as folhas brancas.

Não é problema com ascendência de primeiro grau. A mãe de Maria Isabel só não parece presente porque ela chora tanto de esperar. E porque seu avô a buscava na escola. Todas as vezes que o pai das outras crianças não podia e Romana não gostava porque o homem, além de criar um papagaio malcriado, depois tinha um buraco que lhe fizeram por fumar tantos cigarros e o Gino era um desgraçado, jogava cigarros pelo muro e excitava o bicho a gritar, até bem depois de enterrado o velho, fazendo a viúva reclamar para a Gênova, que deixava tudo bem pior sempre, mas não seria tanto se o Gino pegasse as coisas e fosse embora logo, o Fernando achava.

Mas quem morreu primeiro foi o avô do Fernando e da Romana, só depois o da Maria, mas os dois fumavam mesmo, para não fazer confusão. As avós não fumam. E isso é tudo por hora, porque até uma avó pode fumar, mas não é comum nem fica bonito pra uma velha asseada.

1 comentários:

  1. comprei um maço de carlton ontem..
    só porque eu não posso fumar

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chora mas não se demora
mora que ninguém dá bola