quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

semelhança

Eram dois iguais. Um grande e um pequeno, mas muito mais parecidos entre si do que com todos os outros. Correspondiam perfeitamente àquelas bonequitas russas matrioshkas que se abrem na cintura e comportam sua cópia imediatamente menor, sucessivamente, até todas estarem muito bem engolidas por sua mãe monstruosa. Mas não, eles não se engoliam e nunca passaram de dois. É possível que em outro tempo hajam sido três ou mais, contanto que houvesse anões e gigantes no grupo. O grande era alto, o pequeno era baixo, o resto das proporções acompanhava a estatura e as cinturas não abriam. Penso que no caso de admitir que havia outras cópias, podemos fantasiar um rapaz de estatura mediana, que teria sido assassinado pelos outros dois, provavelmente por ser mais conforme aos padrões estéticos ocidentais. A dupla de assassinos não estava satisfeita com sua própria semelhança e tentou incansavelmente reproduzir a aparência de ídolos da juventude como Roberto Carlos, versão pocket e master, realizando números musicais sem sucesso de público. Seus disfarces foram encontrados no cativeiro última segunda.

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chora mas não se demora
mora que ninguém dá bola